quarta-feira, 9 de julho de 2014

Manhã sem cor







Jane Moreira e Anorkinda



Essa manhã sem cor

Chegou em meio à neblina.

Então, veio, com pudor,
Feito tímida menina.

A garoa ainda não é ocorrente,
Mas a manhã cinza, suavemente,
Deixou cair uma lágrima de dor,
Feito gota de orvalho na flor...

Essa manhã menina
Tremeu pelo desamor
Que antevia para este dia,
Pediu ajuda à alegria.

Mas a névoa cinza impedia
a passagem benéfica do sol
e o dia amadureceu,
num cântico em tom bemol.



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Contos de Fadas de Brincadeira

Infantil



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Contos de Fadas de Brincadeira
Anorkinda e Jane Moreira



Quem vem comigo
esperar pelo príncipe
sentada ao pé da escada
fingindo perder um sapatinho?

Quem vem comigo
beijar milhões de sapos
jogar bola colorida na lagoa
sem disfarçar risinhos de galhofa?

Quem vem, quem vem?
assistir ao casamento da dona pata
e pintar o sete com os cabritos na mata
Lambusar-se todinho do mel das abelhas?

Quem vem lá e me acompanha
Dançar samba com os macacos
E pular de galho em galho
E brincar com a cegonha?




terça-feira, 8 de julho de 2014

Minha criança é traquina









 Minha criança é traquina

Sou menina,
sou mulher madura...
A vida sempre nos ensina
e brincar sempre traz a cura.

Sou traquina,
sou sem frescura,
sempre futriquei na vida,
a procura de brinquedo e aventura.

Gosto de rir à vontade,
de mascar chiclete,
andar de bicicleta...
Posso até brincar de boneca

É que a minha criança não é escondida.
Vive em mim, palpita, cheia de vida.
Posso brincar com meninas,
posso brincar com meninos...
Na verdade, sou bem traquinas,
sou molequinha, cheia de mimos...

Anorkinda e Jane Moreira
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Recadinhos






 Recadinhos


Vou mandar por e-mails

vários e miúdos recados
falando de meus freios
e  ocultando pecados

Vou deixar no virtual
as vontades de falar
das nuvens e do mal
parecendo ser normal

Quem receber os pecados
Em forma de doces beijinhos
Saiba que são meros recados
Recheados de carinho

Não falo mais no real
Pois não querem me escutar
Mas no plano virtual
Só preciso digitar

Anorkinda e Jane Moreira





Sentiverso







Sentiverso

Meu verso
Rasga o pensamento
E eu nem preciso
retê-lo...

Meu verso
Vem sem pedir licença,
Avança pelo momento,
Invade minhas mãos
E corre solto no papel...

Meu verso,
puro sentimento,
esparge os perfumes
do desvelo.

Meu verso
Toca ,com tua parceria,
as paredes do tempo,
Idade e formação.
Voa livre na linha do céu.



Jane Moreira e Anorkinda










 Só

Não chegue
Nem venha
Deixe-me só

Não quero
Ajuda nem dó
Deixe-me só

A dor é minha
Sinto sozinha
Não vou dividir... 

Me amo
Protejo-me
Quero-me só

Me seguro
Aconchego-me
Quero-me só

Sem dó de mim
Sinto, enfim
toda dor sumir...

desfeita no próprio pó.

Jane Moreira e Anorkinda





Sou e estou








Sou e estou
Jane Moreira e Anorkinda 


Nada sou.
No Universo, sem ser,
Na quietude
Da noite sem fim,
No espaço sem cor,
Sou poeira, sem dor.

E quando atinjo a Luz,
Eu sou, eu estou,
No mundo de cor,
Repleto de amor,
Em conjunção com o Bem,
Com o Universo, eu sou alguém.

Enquanto Ser de Luz,
Eu estou, eu sou
Própria irradiação,
Estrela perfeição,
Em alinhamento com os Astros.
Com a Lua, eu sou meus rastros.

Na magnitude,
Tudo sou.
No Universo, meu ser,
Na infinitude
Completa dos espaços,
Ligo nossos passos
Porção do amor.


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domingo, 3 de novembro de 2013

Desencontro transitório





Desencontro transitório


Jane Moreira, Fabio Granville e Godila Fernandes


Como se fosse um déjà-vu,
Foi o que senti ao te encontrar
E depois, assustada, fugi
Da verdade que querias revelar...

Tempo quente, céu azul,
Era como estava ao te ver passar.
Dei as costas para ti,
Mas continuei seguindo a pensar.

E o tempo parou um instante,
O tempo de poder me ocultar
E seguir, como criatura errante

Haverá, com a concorrência do Universo,
hora e lugar para nossa energia de amor,
reencontrar em nosso coração o reverso...





Suave lembrança







Suave lembrança
Jane Moreira e Godila Fernandes


Foi tão suave o roçar daquela mão,
que imaginei ser de uma pétala macia
e senti na pele a inequívoca sensação
de ter sido apenas ilusão, talvez magia.

Apurei meu tato e cerrei os olhos,
uma aura leve roçou-me os cabelos,
num suave acetinado, como agasalhos,
de um feixe de luz , qual alma e espírito anelos!

E me transportei a uma outra era,
onde a beleza de viver residia
e quis voltar no tempo, doce quimera!

Tempo de um bem estar de perene magia,
onde dois corpos em anelo eterno vivera,
num parar o tempo em eterno gozo de euforia!






A passagem





A passagem

Jane Moreira e Godila Fernandes

Comoveu-me o espanto velado
Nos olhos, janelas da alma, inocentes,
Procurando o motivo de tal desagrado,
Que viam nos olhos de toda aquela gente... 


Andarilhos cheios de amor e fome,
Doces camponeses sem nome,
Rejeitados pelas famílias tradicionais,
Amontoados pelas ruas como desiguais.


Andarilhos em seu olhar extático,
Vislumbrando o nada azul do céu,
Traziam nos braços o símbolo fático,
Do amor às flores, doce pote de mel.


E os olhos inocentes não entendem o fel... 
Assombrados só pedem passagem
E se fazem transparentes como véu,
Passando em busca de mais doce aragem...






quinta-feira, 17 de outubro de 2013

De crenças e amizades









De crenças e amizades


Acredito na força da amizade
daquele que diz o que pensa.
E que nunca, por maldade,
faz do que diz uma ofensa.

Acredito na força do amor
de quem não espera recompensa.
E que nunca a lealdade
seja vencida pela indiferença.

Acredito que não perde valor
quem aprimora o que pensa.
E que nunca a saudade
seja mantida em presença.

Acredito que não há falsidade
naquele que faz e repensa.
E que nunca, por comodidade,
diz o que faz sem licença.

Jane Moreira e Anorkinda Neide