terça-feira, 8 de julho de 2014

Recadinhos






 Recadinhos


Vou mandar por e-mails

vários e miúdos recados
falando de meus freios
e  ocultando pecados

Vou deixar no virtual
as vontades de falar
das nuvens e do mal
parecendo ser normal

Quem receber os pecados
Em forma de doces beijinhos
Saiba que são meros recados
Recheados de carinho

Não falo mais no real
Pois não querem me escutar
Mas no plano virtual
Só preciso digitar

Anorkinda e Jane Moreira





Sentiverso







Sentiverso

Meu verso
Rasga o pensamento
E eu nem preciso
retê-lo...

Meu verso
Vem sem pedir licença,
Avança pelo momento,
Invade minhas mãos
E corre solto no papel...

Meu verso,
puro sentimento,
esparge os perfumes
do desvelo.

Meu verso
Toca ,com tua parceria,
as paredes do tempo,
Idade e formação.
Voa livre na linha do céu.



Jane Moreira e Anorkinda




Só







 Só

Não chegue
Nem venha
Deixe-me só

Não quero
Ajuda nem dó
Deixe-me só

A dor é minha
Sinto sozinha
Não vou dividir... 

Me amo
Protejo-me
Quero-me só

Me seguro
Aconchego-me
Quero-me só

Sem dó de mim
Sinto, enfim
toda dor sumir...

desfeita no próprio pó.

Jane Moreira e Anorkinda





Sou e estou








Sou e estou
Jane Moreira e Anorkinda 


Nada sou.
No Universo, sem ser,
Na quietude
Da noite sem fim,
No espaço sem cor,
Sou poeira, sem dor.

E quando atinjo a Luz,
Eu sou, eu estou,
No mundo de cor,
Repleto de amor,
Em conjunção com o Bem,
Com o Universo, eu sou alguém.

Enquanto Ser de Luz,
Eu estou, eu sou
Própria irradiação,
Estrela perfeição,
Em alinhamento com os Astros.
Com a Lua, eu sou meus rastros.

Na magnitude,
Tudo sou.
No Universo, meu ser,
Na infinitude
Completa dos espaços,
Ligo nossos passos
Porção do amor.


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domingo, 3 de novembro de 2013

Desencontro transitório





Desencontro transitório


Jane Moreira, Fabio Granville e Godila Fernandes


Como se fosse um déjà-vu,
Foi o que senti ao te encontrar
E depois, assustada, fugi
Da verdade que querias revelar...

Tempo quente, céu azul,
Era como estava ao te ver passar.
Dei as costas para ti,
Mas continuei seguindo a pensar.

E o tempo parou um instante,
O tempo de poder me ocultar
E seguir, como criatura errante

Haverá, com a concorrência do Universo,
hora e lugar para nossa energia de amor,
reencontrar em nosso coração o reverso...





Suave lembrança







Suave lembrança
Jane Moreira e Godila Fernandes


Foi tão suave o roçar daquela mão,
que imaginei ser de uma pétala macia
e senti na pele a inequívoca sensação
de ter sido apenas ilusão, talvez magia.

Apurei meu tato e cerrei os olhos,
uma aura leve roçou-me os cabelos,
num suave acetinado, como agasalhos,
de um feixe de luz , qual alma e espírito anelos!

E me transportei a uma outra era,
onde a beleza de viver residia
e quis voltar no tempo, doce quimera!

Tempo de um bem estar de perene magia,
onde dois corpos em anelo eterno vivera,
num parar o tempo em eterno gozo de euforia!






A passagem





A passagem

Jane Moreira e Godila Fernandes

Comoveu-me o espanto velado
Nos olhos, janelas da alma, inocentes,
Procurando o motivo de tal desagrado,
Que viam nos olhos de toda aquela gente... 


Andarilhos cheios de amor e fome,
Doces camponeses sem nome,
Rejeitados pelas famílias tradicionais,
Amontoados pelas ruas como desiguais.


Andarilhos em seu olhar extático,
Vislumbrando o nada azul do céu,
Traziam nos braços o símbolo fático,
Do amor às flores, doce pote de mel.


E os olhos inocentes não entendem o fel... 
Assombrados só pedem passagem
E se fazem transparentes como véu,
Passando em busca de mais doce aragem...






quinta-feira, 17 de outubro de 2013

De crenças e amizades









De crenças e amizades


Acredito na força da amizade
daquele que diz o que pensa.
E que nunca, por maldade,
faz do que diz uma ofensa.

Acredito na força do amor
de quem não espera recompensa.
E que nunca a lealdade
seja vencida pela indiferença.

Acredito que não perde valor
quem aprimora o que pensa.
E que nunca a saudade
seja mantida em presença.

Acredito que não há falsidade
naquele que faz e repensa.
E que nunca, por comodidade,
diz o que faz sem licença.

Jane Moreira e Anorkinda Neide




quarta-feira, 19 de junho de 2013

O respeito anda doente... POEMA

 






O respeito anda doente... Maltrapilho, mal tratado, decadente!

Disseram que era um ser amaldiçoado
Aquele, dentre nós, tão bem-dito e amado
Que, rei em sua terra, atravessando mares,
Em terras de cruéis foi escravizado.

O respeito já andava doente...
Maltrapilho, mal tratado, decadente!

Meu irmão, lindo, saudável e forte,
Quiseram mudar teu norte...
E traçaram tua má sorte
entre senzalas, senhores, torturas e morte.

O respeito já andava doente...
Maltrapilho, mal tratado, decadente!

Ofereceram curas e benzeduras
A um ser iluminado, foi chamado de doente
Por loucuras de um ser sem nenhuma ternura.
Que usa o nome de Deus em Vão, para enganar os irmãos.

O respeito já andava doente...
Maltrapilho, mal tratado, decadente!

Esse o qual todos chamam de moreno, não o é
Ele é negro ,raridade, com força na cor
De alma limpa, honrada,
Que transborda infinito amor
Não sugere poeira da estrada!

O respeito ainda anda doente...
Maltrapilho, mal tratado, decadente!

É do céu uma grande bênção
Total beleza, ação exuberante,
É figura de nobreza, importante,
No coração é candidez de luz,
É a razão e emoção que seduz.

Somos irmãos, respeito merecemos, mas ele anda doente...
Maltrapilho, maltratado, decadente...

Jane Moreira, Ângela Chagas, Raquel Ordones e Marcia Poesia de Sá.




O respeito anda doente... Prosa







O respeito anda doente... Maltrapilho, mal tratado, decadente!

Jane Moreira MG/  
Marcia Poesia de Sá PE/ 
Raquel Ordones MG/ 
Ângela Chagas RJ


Quando a lua se escondeu, de vergonha,
de medo, de indignação e os poetas da vida
se ocupavam de lindos poemas à pátria,
pátria esta, extorquida, exaurida, estupefata,
vinha do alto do poder um cheiro forte de fumaça,
um quê de enxofre fantasiado de luz,
que parecia engolir as consciências e erguer uma
cortina pintada de trevas no país do sol pungente,
uma alma em negritude faz-se presente,
roubando nosso direito de opinar! Mas nunca o direito
ao protesto!

O respeito anda doente... Maltrapilho, mal tratado, decadente!

E, nas trevas, onde a insanidade quase inocente
dançava solta, onde nada a fazia parar de rodopiar,
envolvendo assim o que estivesse à sua volta, semeando
a inquietude e a revolta, através de votos espúrios...

O respeito, este sim, anda doente...
Maltrapilho, mal tratado, decadente!

Um ser que, infelizmente, mente tanto que nem sente,
diria: um insano - Como pode não perceber que o povo não
participa desta loucura, desta frescura?!
De repente, o cheiro de fumaça, se amplia,
segue uma nostalgia que anuncia um ser que vive no eterno breu,
que não se mostra, mas está presente e denuncia
que a ele foram prometidas algazarras, transformações
em muitos corações...Mas, patifarias com certeza, a lua não permite,
algozes correm velozes! Há um quê de Luz que nos livra de infortúnios,
brilho esse, que protege a nossa voz.

O respeito, este sim, anda doente!
Maltrapilho, maltratado, decadente!

Esse voto dito “santo” tão falado,
esse mesmo que não adianta mudar a sua forma,
que vem da insanidade e muda a política
e a teu voto, falso Feliz, de uma forma nefasta e ridícula,
que arrasta nosso povo ao preconceito,
tem na lâmina da face só vergonha...
só desprezo, só desgosto, um desrespeito!

O respeito, este sim, anda doente!
Maltrapilho, maltratado, decadente!

Doem nas almas desses poetas da vida assistir
ao poder de formar os jardins
que eles plantam cotidianamente, esses mesmos poetas
que amam a luz sofrem com essa escuridão, na qual
estão sendo transformados os dias,
onde não há lábios vermelhos de sorriso, mas, sim,
um rubro da violência espalhado pela grama outrora verde!
Onde um doente vem propor a cura a quem nunca adoeceu,
posto que doentes existem muitos neste País meu...

---O respeito, este sim anda doente!
Maltrapilho, maltratado, decadente!

Onde a ganância e o enriquecimento ilícito sufocam!
Onde o pronome EU predomina, onde os
degraus não são galgados um por um, e existe sempre
um peixe dentre os ditos santos... Porque a minoria que
está à frente é pisoteada, cuspida na cara...

O respeito, este sim, anda doente...
Maltrapilho, mal tratado, decadente!

A doença está nos olhos de quem vê,
queremos mais um arco-íris nesta lida
pois se assim seremos vistos nesta vida,
vamos marchar sobre esta vil opinião!

O respeito, este sim anda doente!
Maltrapilho, maltratado, decadente!